Lucas Veloso sobre 2 anos da morte do pai Shaolin: ‘Sinto ele perto’

Lucas Veloso tinha apenas 19 anos quando perdeu o pai, Francisco Josenilton Veloso, conhecido nacionalmente como Shaolin – o humorista morreu no dia 14 de janeiro de 2016, após parada cardiorrespiratória, em decorrência de um acidente de carro sofrido em 2011. Desde então, o paraibano vem trilhando seu próprio caminho na área artística, onde segue a mesma profissão do pai e conquista público e crítica a cada novo trabalho.

Sucesso na última edição do ‘Dança dos Famosos’ e no remake de ‘Os Trapalhões’, o ator revelou, em conversa exclusiva com o Fama ao Minuto Brasil, que foi justamente ao receber o convite para viver Didico que ele mais sentiu saudade de Shaolin: “Eu não sabia onde achar a alma do personagem”.

Confira:

Lucas, você veio do teatro e, com pouca experiência na TV, recebeu um convite para participar de um projeto que faz parte da memória de muitos brasileiros. Quais os desafios, ônus e bônus de ter vivido o Didico, em ‘Os Trapalhões’?

É uma faca de dois gumes. A parte ruim é que antes de começar a gravar já foi criticado. “Ah, porque nunca vai ser como ‘Os Trapalhões’ antigo”, “Nunca vai ser o Didi”. É claro que eu nunca vou ser o Didi, assim como o Renato Aragão nunca vai ser Lucas Veloso, porque ninguém é igual, cada um é único. Eu nunca vou ser tão bom querendo ser mais alguém além de mim mesmo. As pessoas não entendem isso. Eu não queria imitar ou substituir Renato Aragão, até porque ele é insubstituível. Ele não é qualquer um, ele é o Renato Aragão. Mas as pessoas só entenderam depois que foi ao ar, que aquilo era uma homenagem. Nós éramos Didico, Dedeco, Mussa e Zaca, aprendendo humildemente a ser um trapalhão com Didi e Dedé, dois marcos do humor brasileiro. Eu fiquei triste com isso em alguns momentos. Assim como Charles Chaplin recebeu muitas homenagens, mas nenhum ator chegou aos pés dele. Eu não chego aos pés do Renato Aragão, mas, por amor, eu fiz essa homenagem aos quatro trapalhões. E acabou que, quem viu, sentiu isso e matou um pouco a saudade. Pessoalmente, eu consegui conquistar um público que sempre quis, que foi o infantil. Hoje as crianças não me chamam de Lucas, chamam de Didico, tiram foto, e isso vale mais do que qualquer cachê.

O convite para os ‘Trapalhões’ chegou pouco depois de você perder o seu pai, que também era humorista. Quais ensinamentos dele que vêm te ajudando mais nessa trajetória?

Muitos. Ele sempre me falou muito de como a vida ia ser quando eu virasse adulto. E realmente eu estou vivendo coisas que ele sempre me falou. E é curioso que ele era um cara famoso, muito benquisto pelo público, mas nunca tirou o pé do chão. Ele ia para os Estados Unidos gravar ‘Brazilian Day’, ia para a TV gravar programa, fazia quatro shows por semana, três sessões cada uma e, quando chegava segunda-feira, ele ia para Campina Grande (PB), bebia a mesma cerveja, no mesmo bar, conversando as mesmas besteiras de quando era adolescente. As lições dele foram em forma de ação, não falando. Acima de qualquer artista, ele era humano. Meu pai me ensinou a ser humano. Eu nunca liguei muito para a fama, para o dinheiro, essas coisas, porque tudo é passageiro. Um dia você é famoso, no outro, não é ninguém.

Além da saudade cotidiana, teve algum momento que você mais sentiu falta dele?

Sim. Eu acho que foi quando eu recebi o convite para fazer ‘Os Trapalhões’ que eu não sabia onde achar essa alma do Didico. Porque eu sou de um tipo de humor que é mais adulto, não era para criança. A minha plateia era gente de 45, 50 anos, tipo plateia do Tom Cavalcante. Então, senti muita falta dele para me dar essas dicas porque ele era um camaleão. Tem horas que eu sinto ele muito perto de mim. Como numa tarde de terça-feira, em um ensaio com Fred Mayrink [diretor] e o Marcio Libar [palhaço que acompanhou as gravações]… deu uma luz na minha cabeça, eu senti meu pai perto e eu achei o fio da meada do personagem e ficou pronto para gravar. Mas foi uma coisa muito forte, uma presença muito forte. Foi o período que eu mais senti falta dele para me aconselhar, como profissional e como pai.

Com 21 anos você já conquistou o que é considerado um sonho para muitos humoristas, que é trabalhar com o Renato Aragão. Para o futuro, com quem você sonha em contracenar?

Três vontades grandes que eu tinha, já realizei: dividir o palco com meu pai e com o Tom Cavalcante. A outra foi ser dirigido por Luiz Fernando Carvalho [em ‘Velho Chico’, 2016] e a outra foi contracenar com Renato Aragão. Agora, eu tenho um sonho desde criança que se um dia eu merecer, eu chego lá, que é participar de algum filme com Jim Carrey, porque eu sou muito fã dele e eu sou louco pra entrar no cinema. Se eu for figurante, um dia, nem que seja para morrer na cena, eu vou com maior prazer.

Qual o teu filme preferido com ele?’

O Mentiroso’ é um filme maravilhoso. Eu fico ali entre o ‘Ace Ventura’ e o ‘O Mentiroso’, mas escolho o segundo.

E qual o teu filme preferido de todos?’

‘Poderoso Chefão’, o terceiro. Eu gosto da trilogia, mas o terceiro, pra mim, é o mais tocante, porque ele acaba como ninguém quer que acabe. É como a vida, né?


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